Aos 45 anos, Grace Thomal começou uma nova etapa profissional na Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba. Há um mês, ela tomou posse como educadora social após ser aprovada no concurso público realizado pela Prefeitura em 2022. Lotada no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Nossa Senhora da Luz, na Regional CIC, Grace concilia o trabalho com outra atividade que transformou sua vida: a literatura. Desde 2020, já publicou dez livros entre romances, novelas, contos e obras infantis.
Curitibana, Grace conta que sempre gostou de escrever, mas foi aos 39 anos, durante a primeira gravidez, que a escrita ganhou um novo significado. Ao ouvir comentários preconceituosos sobre sua idade e sobre estar “velha” para ser mãe, transformou a experiência em um poema. Com a maternidade, vieram também ansiedade e insônia, e Grace encontrou na escrita uma maneira de recuperar o controle sobre a própria vida. “Das páginas em branco, vi que eu tinha o controle, a narrativa era minha. Foi assim que a minha primeira novela nasceu. Depois disso nunca mais parei, a escrita sempre ajudou a ir além”, conta.
A literatura também passou a ser uma forma de transformar experiências pessoais em histórias capazes de alcançar outras pessoas. Grace se define como uma escritora “jardineira”, que começa com uma ideia e permite que a história cresça durante o processo. Entre suas obras, três são voltadas ao público infantil. Uma delas, Minha Cor Café com Leite, nasceu depois que seu filho, Charles, então com quatro anos, contou que uma menina havia se recusado a brincar com ele por causa da cor de sua pele. A partir da experiência, Grace criou uma história sobre respeito e convivência com as diferenças. Outra obra aborda as altas habilidades e as diferentes formas de funcionamento do cérebro.

Entre seus livros, A Virgem é Mãe do meu Filho é o que alcançou maior repercussão, com 35 mil leituras on-line. Antes de chegar à FAS, Grace trabalhou como recepcionista, participou de projetos sociais como voluntária e deu aulas de inglês. Agora, como educadora social, inicia uma nova fase profissional em uma área ligada ao atendimento e à transformação social. “Não imaginava que seria tão especial. Trabalho em um local onde há um grande respeito entre as pessoas. É uma família FAS, que quero conhecer cada vez mais”, afirma.






