Mercedes Bustamante consolidou sua trajetória como uma das mais importantes cientistas brasileiras dedicadas ao estudo do Cerrado e das mudanças climáticas. Professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora reconhecida internacionalmente, Mercedes Bustamante contribuiu para ampliar o conhecimento sobre o funcionamento dos ecossistemas brasileiros, os impactos das atividades humanas sobre a vegetação nativa e os desafios impostos pelo aquecimento global.
Nascida em 24 de setembro de 1963, em Santiago, no Chile, Mercedes Bustamante é filha de brasileiros. Durante a infância, viveu em diferentes países da América do Sul, acompanhando a carreira do pai, engenheiro civil especializado em transporte ferroviário. Após passar por Chile, Uruguai e Argentina, sua família retornou ao Brasil quando ela tinha cerca de sete anos.
A formação acadêmica de Mercedes Bustamante começou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde concluiu a graduação em Biologia. Inicialmente, suas pesquisas concentravam-se na fisiologia vegetal, estudando o funcionamento das plantas. Com o avanço da carreira, passou a ampliar seu campo de investigação, migrando para a ecologia dos ecossistemas e dedicando-se especialmente ao Cerrado brasileiro.
Após concluir o doutorado na Alemanha, Mercedes Bustamante aprofundou seus estudos sobre mudanças climáticas, tema que se tornaria uma das principais linhas de pesquisa de sua carreira. Em 1993, ingressou como professora da Universidade de Brasília, onde passou a atuar no Departamento de Ecologia e a formar novas gerações de pesquisadores.
Ao longo de décadas de trabalho científico, Mercedes Bustamante coordenou estudos de longa duração que analisam o impacto do fogo, da fertilização do solo, das mudanças no uso da terra e das alterações climáticas sobre o Cerrado. Esses experimentos tornaram-se referência para pesquisadores brasileiros e internacionais interessados na conservação dos biomas tropicais.
Seu trabalho também contribuiu para compreender como o Cerrado desempenha papel estratégico na regulação do clima, na proteção dos recursos hídricos e na conservação da biodiversidade, fatores essenciais para o equilíbrio ambiental do Brasil.
Mercedes Bustamante alerta para a conservação do Cerrado
Uma das principais bandeiras defendidas por Mercedes Bustamante é a necessidade de preservar o Cerrado, considerado o segundo maior bioma brasileiro e um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Segundo a pesquisadora, aproximadamente metade da vegetação original já foi perdida devido ao avanço da agricultura, da pecuária e da expansão urbana.
Para Mercedes Bustamante, os efeitos das mudanças climáticas tornam ainda mais urgente a adoção de políticas públicas voltadas à conservação ambiental. A cientista alerta que o aumento das temperaturas, as alterações no regime de chuvas e o crescimento da frequência de incêndios representam riscos tanto para a biodiversidade quanto para a segurança hídrica e alimentar.
Além da produção científica, Mercedes Bustamante destaca frequentemente que sua maior contribuição está na formação de pessoas. Ao longo da carreira, orientou dezenas de estudantes de graduação, mestrado e doutorado, contribuindo para fortalecer a pesquisa ambiental no Brasil.
Seu trabalho recebeu reconhecimento nacional e internacional. Entre as homenagens está o Prêmio Fundação Conrado Wessel, concedido em reconhecimento às suas relevantes contribuições para a ciência brasileira e para os estudos sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.
Especialistas consideram Mercedes Bustamante uma das principais referências latino-americanas em ecologia, biogeoquímica e conservação ambiental. Sua atuação também inclui participação em painéis científicos internacionais voltados ao estudo das mudanças climáticas e da biodiversidade.
Ao unir pesquisa de excelência, formação acadêmica e divulgação científica, Mercedes Bustamante tornou-se uma voz fundamental nos debates sobre desenvolvimento sustentável. Sua trajetória demonstra a importância da ciência para compreender os impactos das transformações ambientais e construir soluções que conciliem crescimento econômico, conservação da natureza e qualidade de vida para as futuras gerações.






